quinta-feira, 21 de maio de 2009

Bromélias x Dengue (puro mito)



[Por Marisa Lima]

Muitas pessoas andam falando ainda sobre as bromélias serem criadouros do mosquito da dengue. Para esclarecer de vez este mal entendido, passo a vocês o texto extraído da Sociedade Brasileira de Bromélias.

Entenda a ecologia da bromélia, e como o Aedes aegypti entra nessa estória.

O tanque que algumas bromélias desenvolvem no imbricamento de suas folhas NÃO É UMA POÇA D'ÁGUA. Ela é SIM, UM POÇO DE VIDA. A diferença é que uma poça d'água (pratinhos, pneus, garrafas e plásticos), ainda que possa abrigar OCASIONALMENTE algumas formas de vida, é uma água parada, um ambiente inerte. O tanque da bromélia, contudo, é uma estrutura vital da planta e assim como os intestinos dos animais, abriga MUITAS formas de vida, das quais ela depende para se nutrir e sobreviver.

A POÇA D'ÁGUA: Armazenada ao acaso, a água da chuva passa a ser rapidamente colonizada pelos organismos menos especializados. Em ecologia, chama-se isso EUTROFICAÇÃO. A partir de alguns poucos nutrientes, surgem determinadas algas e bactérias (POUCAS ESPÉCIES, ALGUMA QUANTIDADE). Em poucos dias, aparecem as larvas dos mosquitos, entre eles, o Aedes aegypti. Essa fase dura pouco. A água se turvará, se não chover, ou secará.

O TANQUE DA BROMÉLIA: As bromélias tanque-dependentes começam a guardar água antes de seu primeiro ano de vida. Essa água , protegida pelo ambiente das folhas, se transforma num pequeno mas rico ecossistema em muito pouco tempo. POUCA ÁGUA SE EVAPORA DAÍ, MUITA É CONTINUAMENTE ABSORVIDA PELA PLANTA, suprindo-a com nutrientes e evaporando pela superfície da folha. A sucessão de formas de vida é muito intensa e o resultado é uma CALDA repleta de organismos (MUITAS ESPÉCIES, GRANDE QUANTIDADE) que competem entre si, numa cruenta interdependência ecológica.

O Aedes aegypti - Muitos colecionadores ficaram alvoroçados com a ameaça do dengue e passaram a monitorar de forma obsessiva suas plantas. O resultado foi surpreendente: PRATICAMENTE NÃO FORAM ENCONTRADAS LARVAS DE AEDES AEGYPTI. Mesmo aqueles que não aplicavam inseticidas, não encontravam larvas do Aedes aegypti em suas plantas. Coleções grandes e, especialmente aquelas situadas próximo às florestas, não acusavam a presença do mosquito e, quando eram encontradas larvas, pertenciam a mosquitos dos gêneros Culex e Anopheles , nativos de nossa fauna.



A Sociedade Brasileira de Bromélias sustenta que as bromélias não são criadouros preferenciais. Mas, com o avanço da moléstia, à mercê de um enorme descuido das autoridades de saúde, a ordem agora é enfrentar o mosquito e não deixar que as bromélias sejam estigmatizadas e transformadas em bodes expiatórios.

Para pessoas que possuem poucas plantas em casa ou no apartamento:
- Deverão ter sua água trocada pelo menos duas ou três vezes por semana. A água deverá ser entornada sobre a terra ou longe dos ralos;

- Regar as plantas com uma calda de fumo (fumo de rolo ou de cigarro colocado em dois litros d'água de um dia para outro ou fervido) ou com solução de água sanitária (uma colher de chá de sanitária para um litro d'água) duas vezes por semana;

- Também se recomenda a aspersão de todo o ambiente onde as plantas estão com inseticida aerosol piretróide com propelente à base de água (evitar aqueles com querosene) duas vezes por semana;

- Se possível, utilizar todas essas medidas em conjunto para segurança total. Bromélias plantadas no chão, em residências ou condomínios: Recomenda-se o inseticida ecológico rural, da Natural Camp ou fumo de rolo diluído em água, ou um pouquinho da borra do pó de café diluído em água.

IMPORTANTE: Para acabarmos com o mosquito, o controle deverá ser permanente, quebrando o ciclo do mosquito. Os ovos do Aedes aegypti ficam viáveis por até 400 dias e, com isso, se não houver atenção até o ano que vem, ele retornará ainda pior em todos os focos conhecidos.

A manutenção dos jardins e espaços públicos é responsabilidade do Estado ou do Município, a quem cabe decidir os produtos e técnicas a serem utilizados. Sabemos hoje que o combate a esses focos é possível e não obriga à destruição de plantas de qualquer natureza que são patrimônio público, ou seja, da população. A legislação ambiental protege as bromélias da natureza porque reconhece a sua importância nos ecossistemas. É crime ambiental, inafiançável, extrair ou destruir bromélias dos ambientes naturais!

Ninguém precisa se desfazer das suas bromélias. Elas são fonte de beleza e a natureza certamente agradecerá.

CONCLUSÃO: Habitado por um vigoroso pool de formas nativas de vida e sujeito à constante substituição biológica de suas águas, O POÇO DE VIDA DAS BROMÉLIAS NÃO É CRIADOURO ADEQUADO PARA O AEDES AEGYPTI, UM MOSQUITO EXÓTICO. As águas paradas das poças (pratinhos, pneus, vidros e garrafas), com ecologia mais pobre, são o local ideal para a proliferação do mosquito do dengue.



Até mais,
um abraço.

15 comentários:

Maria Aparecida Magri disse...

Adorei a reportagem, pois tenho bromélias no meu jardim (uma agora está florescendo e estou encantada) e estava bastante preocupada com o mosquito e chegaram até a me sugerir para retirá-las e "jogar fora"! Vou continuar cuidando delas com muito carinho.
Um abraço.

Marisa Lima disse...

Oi Maria Aparecida,
as bromélias são lindas mesmo, cuide delas e não as jogue fora.
Quando começou a onde de dengue fizeram matanças de inúmeras bromélias erroneamente, foi triste ver.
Eu sempre coloco bromélias em meus projetos de paisagismo. A da segunda foto do blog é em um jardim que eu fiz.
Um abraço.

Registro de Marcas disse...

Elas são lindas...

Luísa N. disse...

Oi, Marisa!
Fizemos, em nosso blog, uma pesquisa-debate sobre as bromélias. Uma de nossas amigas enviou seu link. Foi assim que cheguei até aqui. Vou aparecer mais. Para todos nós, participantes do debate, será uma alegria contar com sua opinião.
Um abraço
Luísa

Janderson disse...

Tenho um painel vertical no meu jardim, com aproximadamente 250 bromélias....estão lindas, mas recebi por duas vezes a visita de fiscais da dengue que estão me obrigando a acabar com ele para eliminar as bromélias.
Como devo agir??
Um abraço
Janderson Antonio de LIma

Leila Maria disse...

Tenho várias bromélias no meu jardim, ameaçadas pelos fiscais da dengue. Foram recolhidas larvas de mosquitos na água das bromélias. O que posso fazer?

Portal Dedetização disse...

Excelente matéria

tarcio disse...

Os agentes da vigilância sanitária encontraram larvas do mosquito da dengue em minhas bromélias. Minha esposa, que sempre foi cismada com as bichinhas, agora quer arrancá-las de vez. Colocar uma solução de agua sanitária no tanque prejudicará a planda? Água com fumo de rolo resolve?

Airton Machado Pereira disse...

Outro dia fui visitado por agentes da Vigilância Sanitária e fui indagado logo na entrada se tinha bromélias em casa e respondi que tinha mas sem LARVAS DE AEDES AEGYPTI.m e perguntei quem as haviam informadas da possibilidade de encontra-las nas bromélias e me responderam que foi o Biologo. Fiquei surpreso com a resposta, sera que este Biólogo faltou a aula e não tem internet em casa. Sou Jardineiro e seguidamente informo aos meus clientes deste "Mito"

Andre Such disse...

Muito interessante esse artigo. Vou como bibliografia pra um artigo que estou escrevendo!

Parabéns pelo texto!

Laene Martins Dos Reis disse...

Posso colocar CLoro na bromelias?qual quantidade?

Anônimo disse...

Bem, esse estudo abordou apenas bromélias que vivem de forma selvagem (em habitat), não bromélias cultivadas em residências. O estudo foi válido para retirar certas posições e conceitos errados que as pessoas acabam criando diante de determinados assuntos, como tudo hoje em dia é generalizado, na cabeça da população funciona assim: se em uma bromélia for encontrado larvas do mosquito da dengue, aí já vira motivo para se destruir todas, esse conceito é totalmente equivocado já que o mosquito migrou das matas para os grandes centros urbanos... E pelo que parece o mosquito está mudando seus hábitos e agora já se reproduz TAMBÉM em água "suja".... Só acho que esse estudo poderia ter sido mais abrangente, em bromélias cultivadas de forma doméstica e as bromélias que ainda vivem de forma silvestre em seus habitats...

fernando pinheiro disse...

Olá,

Cultivo bromelias no Ceará, e tenho uma sugestão para eliminar completamente o nascimento de mosquitos no tanque da plantas.
Eu coloco folhas secas picadas nos tanques e laterais da bromelia.além
de evitar os moquitos, alimenta as
nossas plantas.

abs

Fernando Pinheiro

J.Carlos disse...

Bom dia à todos. É simples: A fêmea do mosquito precisa desovar em algum lugar que contenha água. Se ela não tiver outro lugar melhor e encontrar uma bromélia com certeza vai desovar ali. Na natureza existe a "tal competição" que não é tão acirrada assim numa bromélia cultivada em ambiente doméstico. O mais importante é saber que os mosquitos assim como qualquer outro animal, tenta se adaptar ao ambiente. Portanto,todo depósito que possa conter água, seja ele uma planta, uma caixa d'água, uma tampa de garrafa ou uma cisterna, deve ser examinado pelo menos uma vez por semana para, no caso de se encontrar algum foco seja de qualquer mosquito, o mesmo possa ser eliminado antes de completar o seu ciclo larvário (antes de transformar-se em "alado" = forma adulta ). Quando se diz que "as bromélias não são criadouros preferenciais" do Aedes Aegypti, cogita-se uma pequena mas possível probabilidade de que alguma possa desenvolver sim um foco do mosquito transmissor da dengue. A bromélia não é "vilã", nem "mocinha" nessa história. É apenas mais um possível depósito de água que se deva ter o cuidado necessário. E quando encontramos um foco de mosquito numa bromélia doméstica, fica flagrante que aquela planta, naquela situação e momento, é 100% suscetível. Correto? Nesse caso se o responsável deseja manter a bromélia é preciso manter o cuidado necessário. Se não puder manter é melhor que se desfaça da planta. Mas não é para destruí-la. Pode entregar aos cuidados de quem possa melhor cuidar.Isso não se aplica apenas as bromélias mas sim à todas as plantas suscetíveis. Complementando: Existe um número imenso de espécies e tipos de bromélias, umas mais, outras menos suscetíveis ao Aedes Aegypti, mas se apenas uma delas entre todas as outras do mundo puder desenvolver um foco do mosquito transmissor da dengue...você não vai querer que seja justamente a sua...ou vai? Trabalho no combate à dengue há mais de 25 anos. espero ter colaborado. Um abraço.

Anônimo disse...

No prédio onde moro tem 7 bromélias belíssimas e está cheio de larvas, não sei o que fazer.