sexta-feira, 25 de abril de 2008

Podcast Lopes com o paisagista Marcelo Bellotto

[Por Lucas Bessel - Editor do blog]

Olá, caro leitor!

Hoje o Blog de Paisagismo traz uma novidade: o primeiro episódio do Podcast Lopes.

Para a estréia, entrevistamos o paisagista Marcelo Bellotto, um dos profissionais mais renomados do Brasil e colaborador assíduo deste blog.

No programa, Marcelo fala sobre carreira, projetos, jardins e aplicações de conceitos em diferentes ambientes.

Você pode ouvir o podcast usando o player abaixo ou fazendo o download do episódio diretamente em seu computador.






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Um abraço!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Amor e Ódio



[Por Leo Laniado]


Outro dia eu comentava com os arquitetos que trabalham comigo que, na próxima encarnação, terei uma empresa de estacas e fundações.

Por quê?

Simples: menor risco de emoções exacerbadas, de intimidades indesejadas e de invasão da vida privada. Menor freqüência de telefonemas no celular, de noite, nos fins de semana...

Seria bom, também, não ter que ser tão diplomata ou tão psicólogo.

Alguém aqui já escolheu uma estaca de fundação por causa da cor? Intrometeu-se em relação a quando e onde fincá-la? Alguém sabe onde estão as estacas de sua casa, de sua piscina ou de sua churrasqueira?

Além do mais, nessa fase, o cliente ainda está com toda a sua grana, louco para gastar e ver a obra começar. Paga sem pestanejar.

Como seria bom, pelo menos uma única vez!, ter um casal que não chega ao escritório do paisagista num estado lamentável porque gastou mais do que devia e estourou o prazo da construção.

A relação com o arquiteto está desgastada, eles brigaram com a construtora, estão à beira de um ataque de nervos e EXIGEM um jardim bom, bonito e barato. Pra ontem.

Mesmo assim, nesta vida, consegui “apenasmente” me tornar um pouco diplomata e um pouco psicólogo.

Por ser um pouco louco, quero plantar árvores e não fincar estacas.

Abraços!

Qualidade, tranqüilidade e profissionalismo



[Por Roberto Riscala]


Meus amigos, hoje vamos tratar de um tema que está na base de todo o paisagismo.

Costumo ouvir muito a seguinte pergunta: "Por que, afinal, devo contratar um paisagista?".

Em primeiro lugar, é preciso dizer que o projeto paisagístico deve ser entendido como um projeto de arquitetura de exteriores. O jardim deve complementar e realçar a arquitetura e a intenção expressada pelo arquiteto.

Ele pode ser realizado em casas, edifícios, indústrias, sítios e fazendas. Também está presente em ruas, praças e parques, quando recebe o nome de paisagismo urbano.

Dependendo da escala e do programa, o papel da vegetação no projeto estará sujeito a variações que podem ir da ausência total ao predomínio absoluto.

E o principal: o paisagismo FAZ PARTE DA OBRA. Ele não deve ser idealizado depois de terminada a construção.

É na fase de conclusão do projeto arquitetônico que o paisagista deve ser chamado. Aqui, as primeiras ações já podem começar: ajustes nos desníveis; locação de pontos hidráulicos, de energia, irrigação e iluminação; execução de arrimos, rampas e escadas eventualmente não previstas pelo arquiteto; formatação das áreas externas, evitando o transtorno dos improvisos na fase de execução.

Também é importante fazer um estudo para o aproveitamento da vegetação já existente no local, ao invés de simplesmente optar pelo descarte.

O paisagista tem os conhecimentos técnicos necessários para a escolha das espécies mais adequadas a cada local. Ele entende o ciclo de crescimento e a necessidade de iluminação de cada planta. É ele que vai evitar que, em idade adulta, uma árvore se torne um transtorno porque foi colocada no local errado.

Com o projeto paisagístico em mãos, o proprietário terá condições de planejar melhor a sua obra e avaliar exatamente o custo de seu jardim. Ele pode, por que não?, fazer uma concorrência de preços e pensar em uma eventual implantação por etapas. Jardins de grande porte podem demandar meses ou até anos de trabalho.

Por esses motivos, tenha em conta que a contratação de um paisagista é um investimento em qualidade, tranqüilidade e profissionalismo.

Um grande abraço!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Temperos e aromáticas - Manjericão



[Por Marcelo Bellotto]


Neste e nos próximos posts, vou abordar de forma prática o uso de plantas aromáticas e temperos.

Assim como as frutíferas, os temperos também têm o papel de desenvolver a interatividade e estimular os sentidos relacionados ao prazer.

Que tal se começarmos falando do manjericão, que serve de base para tantos outros temperos?

Aqui vão algumas dicas para o plantio em casa.

Primeira etapa - O vaso

O vaso mais indicado para o plantio do manjericão é o de cerâmica. Vasos de plástico não retêm a umidade, fazendo com que a freqüência necessária de regas seja maior. Isso não faz bem para a planta, que, com o tempo, apodrece.
O vaso de cimento também é uma boa alternativa. A chave do negócio é a simplicidade, e esses dois tipos de vasos têm essa qualidade. A profundidade mínima e o diâmetro devem ser de 30 centímetros.

Segunda etapa - Escolher o local

O segundo passo é eleger um local com muita luminosidade, de quatro a cinco horas diárias de sol. Para varandas de apartamentos, procure proteger a planta do vento, que transporta muitas pragas e vários tipos de doenças. As plantas de horta são muito sensíveis.

Terceira etapa - Preparação da terra

Antes de colocar a terra, faça um fundo de cinasita na base do vaso, ocupando um 1/10 do volume de terra. A cinasita é um tipo de argila expandida, que tem a capacidade de fazer com que a água seja drenada, evitando que as raízes apodreçam. A cinasita pode ser usada para qualquer tipo de planta e tempero.

Quarta etapa - Colocação do bidim

O bidim é como um feltro que deve cobrir a argila para impedir que a terra desça e se misture com a cinasita. Caso isso não seja feito, a terra vai descer, obstruir os buracos de drenagem, causar acúmulo de água e, conseqüentemente, apodrecimento da raiz.

Quinta estapa - Misturando nutrientes

Antes de colocar a terra no vaso, ela deve ser misturada com um composto orgânico ou químico, como o NPK, que tem os nutrientes fundamentais para as plantas. Existe um produto, chamado Biomix, que já vem com todos os nutrientes necessários. Deve-se misturar 50% desse
composto com a terra. A cada mês e meio, faça uma adubação superficial com NPK ou com torta de mamona e farinha de ossos.

Sexta etapa - Plantar

O manjericão quase sempre vem dentro de um pote e deve ser transplantado para o vaso. É importante colocar a planta no meio do vaso, para depois completar com a terra até um pouco abaixo da borda. A terra deve ser compactada à medida que for acrescentada, para tirar
todos os excessos de ar. Após esse processo, é muito importante que a planta seja regada. Como acabamento, use um tanto de casca de Pinus, que ajuda a manter a umidade da planta.

Sétima etapa - Regar

A rega é fundamental e deve ser feita a cada dois dias. Para as plantas que pegam muita luz do sol, recomenda-se regar diariamente, evitando que o vegetal murche e comece a perder folhas.

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Depois disso, é só aproveitar, sacar aquele velho livro de receitas e mostrar todo seu talento ao fogão.

Abraços!

terça-feira, 15 de abril de 2008

Muros: para que escondê-los?



[Por Leo Laniado]


Por que a maioria das pessoas quer esconder seus muros?

É simples: porque são feios.

(Ainda outro dia desses, uma amiga me perguntava sobre quais plantas ela deveria usar para esconder seu muro...)

É tarefa de arquitetos e paisagistas desenhar muros que sejam integrados à paisagem, especialmente quando vivemos cercados deles.

Muros são elementos que, quando bem aproveitados, enriquecem a paisagem.

Muros antigos, muros de inúmeros tipos de pedras, muros com cor e, ainda, muros de tijolos ou blocos. Muros em frente a outros muros, com texturas e tratamentos diferenciados.



São tantos os tipos de muros.

Muros de pedras remetem s casas e jardins de Provence e Toscana.

Muros com cor lembram a antiga “villa italiana”, as lindas casas caiadas e também a arquitetura contemporânea dos arquitetos mexicanos Barragan e Legoretta.




















Muros são suportes para trepadeiras, unha-de-gato e heras diversas. Enquadram as plantas e a paisagem. Evocam sentimentos de antigamente ou de modernidade. Criam profundidade de campo.



Em pequenas áreas, por exemplo, pode ser interessante construir muros mais altos que o normal, para criar um pátio com a sensação tranqüila de um claustro. Ou seja: esses altos muros viram o olhar para dentro.

São tantos os tipos de muros que não há porque não dar-lhes mais atenção.

Sobretudo, não construa um muro para depois tentar escondê-lo.

Abraços!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Plantas em vasos VII - Laranjinha Kinkã



[Por Marcelo Bellotto]


Hoje vamos falar de outra frutífera do gênero citrus (o mesmo da mexerica do post anterior). Trata-se da laranjinha kinkã, que é uma graça.



Nos exemplares de folhagem totalmente verde, a laranjinha kinkã é comestível. Já naqueles de folhagem variegata (rajada de verde e branco), o fruto é muito azedo para consumo, mas ainda funciona muito bem para propósitos estéticos.

Ao lidar com cítricas em geral, é interessante que as mudas sejam plantadas ainda pequenas. Se plantadas adultas, é preciso se certificar de que elas já estejam sangradas e enraizadas, pois costumam perder muitas folhas no transplante.

Há também outras espécies que produzem muito bem em vasos, como mini-pitanga, pitanga, lichia, figo e acerola, entre outras.

Portanto, usem e abusem!

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Também gostaria de usar este post para responder à dúvida da leitora Diana. Nos comentários de meu último texto, ela pergunta:

"Estou querendo plantar uma mexeriqueira no meu jardim aqui na Alemanha... será que ela agüenta o frio bem rígido daqui? Vc recomendaria?"

Bem, Diana, a resposta está na sua própria pergunta. Infelizmente, as chances de sucesso com uma mexeriqueira em um clima tão frio são bem pequenas. Acho que você deve tentar uma espécie mais adaptada à sua região.

É isso. Um abraço a todos!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Mais dicas para o tempo frio



[Por Roberto Riscala]


É, caros leitores...

Já fez frio esta semana (pelo menos aqui em SP).

Que tal algumas dicas para deixar suas plantas mais bonitas e saudáveis nessa nova estação?

- O período é ideal para a adubação orgânica. Aproveite para acrescentar húmus, adubo de minhoca, esterco ou outro adubo orgânico de sua preferência à terra do jardim.

- Regue regularmente o solo e pulverize as folhas com água uma vez a cada dois dias. Mas atenção: se você está em uma área sujeita a geadas, fique de olho na previsão do tempo antes de qualquer coisa.

- A cada 15 dias, misture um pouco de adubo químico à água da rega. A proporção exata desse mix pode ser encontrada na própria embalagem do produto.

- Se você tem uma boa área livre, pode obter seu próprio adubo orgânico. Amontoe sobre o solo restos de grama, detritos de poda, folhas, cascas de ovos e frutas, pó de café etc. Alterne sempre uma camada de resíduos com uma camada de terra e mantenha tudo bem úmido. Para acelerar o processo de decomposição, adicione 25 gramas de salitre do Chile dissolvidos em 10 litros de água para cada metro cúbico de composto. Em até 120 dias você obterá um ótimo fertilizante natural.

Na imagem do post de hoje temos o Narciso, uma espécie que floresce muito bem no final do inverno e na primavera. Seu bulbo pode ser plantado em qualquer época do ano e a planta não requer muita manutenção. Pode ser uma excelente opção para o inverno em seu jardim.



É isso. Um abraço!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Interferência com referência



[Por Leo Laniado]


Neste post vamos abordar a questão da interferência do Homem na paisagem.

O paisagismo deve estar totalmente integrado à arquitetura, que por sua vez deve estar integrada ao meio ambiente. E o resultado da integração é uma nova paisagem.

O Homem, ele, inquieto, curioso, insaciável, “centro do universo”, quer interferir no seu ambiente: faz sua própria paisagem, seu jardim, o ordena e o adorna.

Certa vez, um cliente me perguntou se eu permitiria que fosse colocada uma estátua (replica de Vênus) no jardim.

Minha resposta espontânea foi: “Todo cliente tem direito a UMA loucura, somente uma".

Ainda hoje penso da mesma forma e tenho absoluta convicção de que - como dizem os franceses - “um nariz feio não estraga um lindo rosto”.


'Beijo' (Gershman) e Pirâmide Japonesa (Nabuo Mitsunashi)

É um desafio integrar esses elementos de forma que ocupem o seu lugar e que remetam à personalidade de cada qual.

Eu mesmo gosto de criar interferências, sempre com critério, usando uma fonte, um pórtico ou uma escultura.

'Três Graças' (Segall) e Estudo para Fonte Faria Lima (Tozzi, Gershman, Granato, Petico)

Gosto de esculturas. Obras de arte contam uma história. Criam interesse, dão a oportunidade de andar em volta delas. Criam discussões e polêmicas e mudam a paisagem. Infelizmente, poucos são os clientes que compram a idéia.

Mas aos poucos vou trabalhando esse conceito. Gosto de uma interferência com referência.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Plantas em vasos VI - Mexeriqueira



[Por Marcelo Bellotto]


Olá, amigos!

Hoje é dia de falar de outra planta linda que, além de ser muito ornamental, produz frutos comestíveis: a mexeriqueira.

Na foto abaixo, temos a variedade ponkan (Citrus reticulata).



Sua utilização, tanto em jardins quanto em vasos, promove grande interação Homem X Natureza, pois os frutos instigam à degustação.

Além disso, em setembro, seu florescimento exala um perfume delicioso, quase afrodisíaco!

Em vasos, sugiro que ela seja colocada em lugares com bastante sol - a luz é fundamental para uma frutificação bonita e para a aparência saudável das folhas. Locais de face sul, portanto, não são indicados.



A rega deve ser feita 3 vezes por semana.

Lembrando sempre que a aparição de pragas e doenças está relacionada principalmente ao desequilíbrio ecológico, à deficiência de nutrientes, à falta de sol ou ao excesso/falta de água.

Nesse sentido, as plantas se assemelham a nós. Se estivermos mal nutridos e com baixa resistência, as doenças aparecerão.

É isso. Até a próxima!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Ótica e ética: fazer o que é melhor para a natureza



[Por Marcelo Faisal]


Para um paisagista, educar o olhar é fundamental.

Isso melhora o aproveitamento profissional e estimula o aprendizado, de forma que tudo que está ao alcamnce da visão pode, de alguma forma, fazer parte do nosso repertório.

A grande questão, porém, é que não devemos meramente reproduzir idéias e conceitos. Se fizermos isso, o trabalho deixa de ser arte e passa a ser cópia. A "inspiração" deve se dar através de um processo de "alimentação", em que as obras se adaptam ao ambiente e às condições específicas de cada projeto (leia meu outro post sobre antropofagia estética AQUI).

Na confecção de um jardim, devemos levar em conta questões climáticas, tais como vento, altitude, insolação, índices pluviométricos, luminosidade e solo. Acima de tudo, entretanto, é preciso pensar nas questões éticas.

Como profissional, é obrigatório praticar o que é correto, independente da beleza visual. E o correto não é aberto a muitas interpretações. Se for necessário sacrificar a estética em nome da correção ambiental, da economia de água e do uso adequado do solo e das espécies, é assim que será.

Se soubermos usar nossa visão e nosso espírito crítico como ferramenta de trabalho, teremos um grande aliado no aperfeiçoanmento da nossa obra.

Caso contrário, corremos o risco de criar jardins clonados, sem alma, ao invés de criar nossos verdadeiros "jadins secretos".

E se falo isso sempre tendo como referência a profissão de paisagista, saiba que as mesmas idéias valem para você, caro leitor.

Um abraço!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Plantas em vasos V - Romã



[Por Marcelo Bellotto]


Vamos continuar nossa série sobre plantas em vasos.

Hoje, destaco mais uma frutífera que se adapta muito bem a esse ambiente: a romã (Punica granatum).



Ela necessita de ao menos 4 horas de sol por dia para frutificar e é bastante resistente. Pode ser usada tanto em varandas de apartamemntos como em terraços e coberturas.

O fruto é o seu principal atrativo e muitas pessoas acreditam que ele traz fartura.

Se bem regada e adubada, produz a intervalo de 3 meses, sendo que o verão é a estação mais abundante.

É uma planta de crescimento não muito rápido e, em vasos, pode chegar a até 3 metros de altura.



Há também uma variedade anã, que atinge no máximo 1 metro e meio de altura.

Nos próximos posts, trarei mais algumas dicas sobre o tema.

Até lá e um abraço!